terça-feira, abril 17

I'm hard to remember

Certa vez li um texto do Fallabella em que ele falava (poeticamente, por sinal) sobre a saudade. Lembro que na época eu estava, coincidentemente, ferida. O texto era tão avassalador que parecia que queimava por dentro, da mesma forma que o sentimento do qual falava.

Saudade, palavra que nós, usuários da língua portuguesa (Que já disseram ser a língua dos anjos), temos o privilégio de ter com o significado que conhecemos - Sim, línguas de origem saxã não têm essa palavra, logo ela é algo bem forte e específico nosso – é algo que vai surgindo tão discretamente que você nem sente, e se você sente, alguma coisa deu errado na sua vida.


E há saudades de todo gênero e espécie... Nenhuma delas é boa. Com perdão ao Fallabella, afinal quem sou eu para querer me comparar com ele, que escreve tão brilhantemente bem, mas não há saudade boa. Se há saudade, falta-te algo. E se falta algo, provavelmente, você está sentindo seu interior queimar.


É ruim, muito ruim sentir saudade. É desesperador você querer que o tempo volte, e como se viu em Alice através do espelho, ninguém pode fugir do tempo, e ele não voltar, é isso que dói.

Todos fomos equipados com máquinas do tempo, as lembranças nos levam ao passado, e são as lembranças, as malditas lembranças que vão te corroendo feito ferrugem no ferro. Você tenta procurar uma saída, algo que te faça esquece-las, mas elas estão ali, como um coadjuvante que sempre aparece fora de foco mesmo você não se dando conta. E quando você dá espaço para ele... Você percebe o quanto gostaria de poder pegar algum escrito seu e voltar realmente àquele momento que insiste em te bater com soco inglês.


É ruim sentir falta de algo que você sabe que não pode mais ter. E se você não pode mais ter é porque algum dia você teve... Era preferível você nunca ter tido, mas você sempre acredita que as coisas podem ser diferentes... E como é ruim ver o quanto estamos errados.


Não, sentir saudade não é bom! Sentir seu peito queimar no vazio não é bom. Sentir que algo foi arrancado de você à força, definitivamente NÃO É BOM. E você se vê pedindo a Chronos que faça com que esse tempo passe o mais rápido possível, porque, se ele não resolver isso, não há mais nada que possa.


E apenas uma coisa: Sinto sua falta não dos momentos íntimos, eu sinto a sua falta dos momentos em que rimos, em que conversamos, em que sonhamos...


I'm going to miss your lips. And everything attached to them. Please don’t get lost (Elizabethtown).

Uma pessoa substituta.

segunda-feira, abril 16

Mudaram as estações nada mudou (De novo)

Hoje, quando estava no carro indo fazer umas coisas, começou a tocar Por Enquanto na versão mais punk que já existiu, a da Cássia Eller (numa rádio que está em modo experimental. O legal disso é que só toca música o dia todo, só parando para a funesta Voz do Brasil) e eu comecei a analisar a letra da música que muitas vezes eu mesma cantei no automático.... Parece que é quando estamos mais magoados que começamos a filosofar sobre.... Tudo.

Por mais que seja piegas, mas a letra da música é bastante interessante, pois ela já começa com “Mudaram as estações, mas nada mudou” e essa frase pode ser interpretada de tantas maneiras quantas forem possíveis dentro da nossa belíssima língua portuguesa. Eu mesma já interpretei essa frase de tantas formas diferentes, que fica complicado tentar adivinhar qual sentido que o Renato colocou nessa frase.

A minha interpretação desta vez é que por mais que eu tente, parece que eu e essa coisa de relacionamento não fomos feitos um para o outro, e a ironia disso tudo é que, como dizem, como sou teimosa ainda insisto, sabem aquela frase que diz “mãe é tudo igual, só muda o endereço”? É mais ou menos por aí esse quesito da minha vida, porque... Da primeira vez que acontece realmente não é sua culpa, da segunda vez, você fica pensando que, por mais difícil que seja, um raio ainda pode cair no mesmo lugar, mas... Três vezes? Três vezes SEGUIDAS que se tenta e que no final o que você escuta é: Eu tô fazendo isso para não te machucar... Ironicamente fazendo a única coisa que destrói o coração de uma pessoa... Três vezes que “não é você, sou eu”, faz você parar para pensar em entrar para o monastério...

Ai começam as várias dicas, algumas até ajudam, não nego, mas...

Então você se pega fazendo a única coisa que você parece ter talento: filmes. Se joga no mundo cinematográfico, constrói seu muro, dessa vez com mais pedras, e fica lá dentro sem se importar com o que acontece ao seu redor. Dessa vez o “mudaram as estações, nada mudou” é que SEMPRE ocorre o mesmo resultado, coração magoado, depois de um “não é você, sou eu”... Depois da terceira vez, você passa ter a certeza que sim, é você. É você que não vale a pena.

E claro, você não quer que seus amigos te achem uma chata, porque convenhamos, não é legal você alugar seus amigos, então, você se dá no direito de ficar uns três dias sem a máscara, mas logo você a coloca novamente, tirando-a somente quando todos da sua casa já se recolheram.... Assim, você pode tirar o seu sorriso e mostrar seu verdadeiro rosto. E você a coloca por medo, porque a gente sabe que as pessoas dificilmente entendem que cada um tem seu próprio tempo de luto.

Então, lá está você novamente com aquela péssima sensação da qual você passou anos evitando com louvor... Aquela sensação de estar cansada de tudo isso, de toda essa dor... De novo e você não quer admitir, mas lá dentro, lá no fundo, você sonha que alguma reconciliação de filme das comédias românticas que tanto se assistia na sessão da tarde, ocorra na realidade... Não ocorre. E realmente, dizem que a esperança é a última que morre, sim, porque a esperança te deixa feito uma imbecil olhando umas mil vezes por dia um aparelho esperando algum esboço de mensagem, mensagem essa que seu cérebro sabe que não vai existir...

Sabem o que dá mais raiva? É você imaginar o “e se....”, isso que dá raiva, porque dá esperança, esperança essa que você já deveria ter aprendido a não ter mais. As coisas inacabadas, ou acabadas como um piscar de olhos ou respirar (Coisas que fazemos sem nem notar que fazemos) que nos deixam piores. Será que mais alguém é assim?

Aí, teóricos ficam falando que o mundo está mais egoísta (Eu detesto egoísmo), claro que está, mesmo quem não é acaba se tornando não porque quer, mas por necessidade. Aí começam os julgamentos de que você está egoísta demais... claro, antes ser egoísta que ter esse buraco (Aquele que Stephanie Meyer descreve brilhantemente no livro Lua Nova – E sim, ela descreve esse buraco de forma perfeita, somente quem já teve, ou tem, sabe que é aquilo mesmo) dilacerando cada parte do seu ser e da sua consciência. É desse buraco, dessa dor que surgem os grandes males da sociedade. Não se preocupem, não é esse o caso!

Mas o cansaço é! A gente cansa de tentar, tentar, tentar; parece que nada do que a gente faça é certo ou correto, ou.... Que a gente não valha a pena. Só pode ser isso. A verdade é que você começa a acreditar, mesmo que no início você lute contra tais pensamentos, que você não vale a pena. Não para os relacionamentos. Você é ótima para outras coisas. E você começa a duvidar de tudo que te falam, de cada elogio que te façam, porque... A realidade é um pouco diferente do que as palavras dizem.
É como JK Rolling disse.... As palavras realmente são nossa inesgotável fonte de magia... E ultimamente é cada Avada Kedavra que eu tenho recebido que nem mesmo Harry Potter seria tão famoso nem Hermione Granger seria capaz de deduzir.

Gente, querem um conselho? Vou terminar o texto com o conselho que o Guia do Mochileiro das Galáxias deu para o Arthur Dent (Que não o leu) no quesito Amor: evite-o, sempre que possível.

segunda-feira, março 12

This is us - A série que emociona.




This is us no IMDBLogo que começou o falatório sobre a série This is us fiquei interessada, pois vi que falava sobre relacionamentos: familiares, de trabalho, de amizade... E também demorei a assistir porque sabia que esse tipo de tema mexe com nosso emocional.


Apesar de já saber algumas coisas, na verdade sabemos de uma grande perda logo no segundo episódio, nada abalou minha determinação de parar um dia para assistir à série. Esse dia foi ontem. Aproveitei que era domingo e que o grupo de estudos havia sido cancelado, para maratonar os 18 episódios disponíveis na TV à cabo. Então começou uma história de “ser feliz por estar sofrendo”.


Sim a série, como suspeitava, mostra, em sua forma mais cruel, os relacionamentos, amores, temores, determinações, traumas.... Dos personagens. E mostra de uma maneira tão crível, que fica impossível não se transportar para dentro daquela família tão peculiar. Família essa que às vezes você tem vontade de bater até os calos das mãos sangrarem, mas cinco minutos depois, querer coloca-los no colo dizendo que tudo irá ficar bem.


Para quem ainda não está familiarizado: a série nos mostra o dia a dia de uma família, desde o nascimento dos filhos até a data atual. Em formas de flashbacks, mostra como foi a infância e adolescência dos personagens que adultos seguiram caminhos tão diferentes, mas ainda assim, ligados pelos laços do amor.


Aliás, temo dizer que a série tem como mote o amor em todas as suas formas. Amor de um pai pelo filho que, sabendo que não poderia oferecer nada além de drogas, toma a difícil decisão de abandoná-lo para que ele tivesse uma chance. Amor de uma mãe que, mesmo depois de uma perda de um filho, junta os cacos de seu coração para cuidar de três crianças (uma delas adotada) pequenas. Amor de um pai que se sacrifica todos os dias de sua vida (literalmente) para poder dar o melhor para a sua família e ainda provar para o pai que ele jamais seria igual. Amor de um irmão que a única coisa que ele queria era a aprovação dos outros dois, mesmo que isso significasse se sabotar. E amor de um amigo que mesmo sendo rejeitado por um dos enteados, o queria muito perto apenas para ter só mais uma lembrança do amor.


A série é tão poderosa em termos emocionais que mesmo escrevendo essas palavras, lágrimas me veem aos olhos lembrando da catarse de emoções que foi maratonar a série. E não pensem vocês que eu não pensei em deixar para outro dia quando vi que eram mais de duas horas da manhã, pensei, eu apenas não consegui.


São personagens tão poderosos, são personagens tão bem criados e interpretados que você sempre quer saber mais um pouco sobre eles.


De todos dois... Três, talvez? Se destacam. Jack que foi o marido perfeito, o pai perfeito, o amigo perfeito dentro de toda a sua imperfeição que você quer conhece-lo. Milo Ventimiglia se doou de uma maneira tão intensa para esse personagem que fica complicado não imaginar o ator agindo de forma diferente do personagem, garanto que ele calou a boca de pessoas que torciam o nariz para ele desde a série Heroes. 

Sterling KBrown que... Não há outra forma de falar sobre ele que não seja: dono das melhores e mais intensas interpretações da série. Não que haja interpretações ruins, porque não há. Mas o Sterling (e seu Randall) foi o responsável pelos altos e baixos emocionais dos 18 episódios que eu assisti. 

E Ron Cephas Jones. Ele foi responsável por todos os melhores momentos.... Impossível não se encantar com o William. Impossível não tornar esse personagem como parte de sua família. Impossível não torna-lo seu personagem principal e não querer estar junto dele na viagem a Memphis e ouvi-lo tocando. Impossível não se apaixonar por ele nos 10 primeiros minutos.


A família Pearson chegou para ficar. Ainda há muita coisa a ser mostrada. Ainda há muitas emoções a serem trabalhadas. Ainda há muitos traumas a serem superados. 



Ainda bem.

Vanessa Carvalho