quarta-feira, setembro 20

Desculpem, precisamos falar sobre a "cura gay"

Eu demorei em escrever esse post porque eu sei que vai dar probleminha, mas minha mente não vai descansar enquanto eu não fizer isso.

Então gente, precisamos falar sobre uma coisa... Gays!

Sempre que esse assunto vem a tona, a internet entra em combustão. Alguns preconceitos, disfarçados de opinião saltam aos nossos olhos que fica complicado evitar, é como aquele spoiler chato daquele filme foda que você estava esperando, entendem?

PARTICULARMENTE sou da mesma opinião que o saudoso Clodovil: é a SUA vida ÍNTIMA, (E isso eu falo para heteros, bi, gays, pluri, ou seja, lá o que mais existir nos dias de hoje) e sendo ÍNTIMA ela só diz respeito A VOCÊ. Não que você vá esconder o que você é, mas evite se expor, o mundo hoje anda complicado demais, as pessoas têm perdido a incrível capacidade de empatia, então, guarde ela para você entende? É algo precioso demais para ficar sendo alvo de comentários que, a maioria das vezes, existem apenas para magoar. Eu sei, faço parte de um desses grupos que são postos à margem da sociedade, mas isso é conversa para outro texto.

E mesmo sendo algo íntimo, algo que as pessoas deveriam preservar, há algo que está acima disso, pessoas gays nem deveriam ter que lutar porque antes da palavra “gay” vem a palavra “pessoa” e apenas por isso, TODOS deveriam os deixar em paz.

O que mais me espanta é essa crucificação. Me espanta, me assusta e deixa minha mente confusa. De verdade, eu não tenho a capacidade intelectual para compreender o motivo de pessoas odiarem outras pessoas apenas pelo fato de que elas sentem atração sexual por alguém do mesmo sexo que ela, ou porque ela tem um tom de pele negro ou qualquer outro preconceito que possa existir.

Isso deveria ser algo que as pessoas deveriam fazer seus cérebros bugar. Como assim, alguém que NÃO me conhece, não paga as minhas contas, não sabe nada de mim além do meu nome pode me odiar porque eu escolhi amar alguém do mesmo sexo que eu? E essas mesmas pessoas, além de odiar (o que aliás, é algo bem forte para se sentir) tratam essas pessoas como doente, tipo, “oi?”. 

DOENTE é quem pega gripe, sarampo, rubéola, hepatite... ISSO é ESTAR doente. SER gay não é ESTAR doente. Existe um oceano de diferente entre os dois verbos (Eles são verbos tá gente? Sim, a gente precisa explicar porque tenho para mim, que os homofóbicos sejam meio burraldos). Um é algo que você É, está no cerne do seu ser, não foi uma escolha, você simplesmente É. Assim como se nasce com olhos castanhos ou verdes ou azuis... Até dá pra usar lente, mas no final das contas, a cor dos olhos não vai mudar. Agora você pode estar com alguma patologia que talvez precise de tratamento, no caso você ESTÁ doente, isso é algo temporário.

Você querer curar algo que você é... É a mesma coisa que querer sei lá... “curar” a sua altura, por exemplo... Gente, vocês podem usar saltos altos, MAS A SUA ALTURA NÃO MUDARÁ. E é o mesmo procedimento em relação aos gays. Gente, eles SÃO gays, eles não ESTÃO. Sou super adepta à terapia, de verdade, mas não porque a pessoa seja gay. Talvez ela até precise de terapia devido aos anos sendo boicotada pela família, amigos, sociedade... Com certeza não será o fator GAY que será curado, e sim anos de humilhações e decepções.

E, convenhamos, se há alguma doença no mundo é a homofobia, e eu não estou falando no termo popular, estou falando no sentido da palavra mesmo, já que FOBIA caracteriza um medo extremo de algo, eu por exemplo, tenho fobia a cobras, logo nem chego perto, mas também não fico falando para que todas as cobras sejam extintas, elas não mexendo comigo, tudo bem.

No filme V de vingança, na sociedade distópica, é crime você ser gay. Tanto que logo quando o Chanceler subiu ao poder, os gays foram perseguidos e mortos em campos de concentração. E em uma passagem maravilhosamente linda do filme, quando Evie estava presa, e ela lê um relato de uma detenta, eis que a mesma pergunta “Nunca entendi, porque nos odeiam tanto.” Essa passagem acaba com meu coração.

Outra coisa que sempre acontece é, que os homofóbicos SEMPRE vêm com o mesmo discurso, “mas a Biblia diz...”, amigo deixa eu falar uma coisa para você que, aparentemente, só leu esse pequeno trecho: Tá na bíblia também que mulher deve ser subserviente ao homem, que não se pode comer porco, que é algo natural ter escravos... TUDO ISSO tá na Biblia, sabe porquê?, porque a bíblia foi escrita por homens que achavam que os leprosos deveriam ficar em locais completamente isolados (Hoje sabe-se que a lepra não se pega dessa forma) sem qualquer tratamento. Isso, coleguinhas não é legal.

E por fim... Gente, trata-se DA VIDA PRIVADA de casa um. Assim como você não gosta que falem de você enquanto usa o banheiro depois de uma infecção intestinal, eles também não gostam desse tipo de celeuma. Sem contar que, os mais afoitos passam de apenas palavras de ódio para ações de ódio e ISSO amiguinhos é homicídio e você pode ficar preso por até 30 anos... É uma vida para quem está pelo lado de dentro.

Então gente, deixa quem É gay, SER gay sem julgamentos ou pressões. Deixem as pessoas serem felizes da melhor maneira que ELAS acham melhor para elas.

Paz e tranquilidade a todos.

sexta-feira, agosto 11

Viva o dia 11 de Agosto.

Como as coisas mudam em um ano não é mesmo? São 365 dias, 525.600 minutos para refletirmos. Quem olha de fora, pensa que é muito tempo, mas na verdade não é não.

Ano passado eu lembro exatamente o que estava fazendo neste momento: estava correndo da sala para a cozinha para poder organizar a minifesta para nosso professor pelo dia do Advogado. Lembro que comprei um bolo e que, junto com uma colega, compramos uma luva para ele malhar (Ainda havia tempo para isso) e uma camisa para que ele pudesse usar quando fosse trabalhar. Lembro também do sorriso que ele deu quando entrou em sala e estava tudo arrumado (Ou quase, isso porque a pessoa não sabe esperar muito) e o “muito obrigado” completamente sem jeito que ele falou para gente.

Hoje, HOJE passa tanta coisa pela minha cabeça. Os dois dias da prova – um estava muito quente, chorei muito, o outro estava chovendo demais. Lembro que pensei que eu poderia estar em casa aproveitando a chuva, mas que estava alí fazendo a prova da minha vida. Engraçado como tudo vêm à cabeça como se tudo isso estivesse acontecido ontem. Lembro do dia seguinte à prova de segunda fase... E da enxaqueca que eu estava. Passei o dia inteiro deitada assistindo a Netflix, desenhos, e mais desenhos, penando ora que iria passar, ora que iria ter que ir pra repescagem (Esse segundo pensando, infelizmente vinha cada vez com mais força). Lembro do dia que saiu o resultado, eu estava assistindo a um jogo de futebol quando uma amiga minha soltou no grupo de Whatsapp que eu havia passado. Lembro que tremia tanto que não conseguia ver meu nome. Lembro também da primeira ligação que recebi (Do professor da surpresa, obviamente, me chamando de minha doutora) e eu sem poder responder direito de tanto que eu chorava. Lembro que eu agradeci tanto a Deus e nossa senhora que Ele deve ter pensando “Ok, para de agradecer que eu já sei disso tudo ai! ”.

Um ano depois daquela festa, eu quem estou recebendo felicitações também. E isso é tão estranho. Por mais que eu já tenha a minha há alguns meses, ainda não me acostumei com tudo que está acontecendo. É tudo tão mágico que parece até mesmo que estou sonhando. Foi tanta queda, tantas perdas, tantas renuncias que fica impossível de lista-las neste momento.

Mas ao final tudo valeu a pena. E o final aconteceu quando eu já estava sem forças, o final veio quando eu estava perdendo todas as esperanças, o final veio quando eu não conseguia mais caminhar, mais abrir mão, não aguentava mais fazer renuncias. Ele veio. E tudo aconteceu tão rápido. Daquele 27 de novembro para o dia 15 de março tudo aconteceu em apenas num piscar de olhos, tudo aconteceu em um sopro, em um simples inspirar/expirar.

Agora uma nova estrada se inicia. Uma estrada que ainda causa medo e pavor, mas uma estrada que eu estou disposta a trilhar, já que eu lutei muito para poder ter o direito para percorrê-la.

E o que eu digo para quem ainda está tentando alcança-la é: se você realmente quer isso, se seu coração realmente grita por isso, se quer mesmo trilhar esta estrada, NUNCA DESISTA. Sim, eu mais que ninguém sei o quanto tudo é complicado (Principalmente as renuncias), quanto sofremos, choramos, o quanto duvidamos de nós mesmos e do futuro, mas não desista. Desistindo, você não estará mais perto dela. Desistindo você não estará digno a ter o que quer que você sonhe. Desistindo você estará abrindo mão de um sonho. Não deixe esse sonho morrer. Não abandone TUDO o que você viveu até aqui. Não faça isso com você. Se você desistir DE VOCÊ, quem irá lutar em seu lugar?

Então, mesmo eu não conhecendo você (Ou conhecendo, sei lá...), mesmo não sabendo o seu nome, onde mora ou suas lutas diárias, saiba que eu estou e estarei SEMPRE torcendo para ver você andando esta estrada tão linda, mas tão complicada.

Paz. E para os que já estão no caminho, tenha um maravilhoso e belíssimo dia com o PJE funcionando e tudo.

Vanessa Carvalho.

segunda-feira, junho 12

Essa não é mais uma história de amor.

Recentemente vi, em uma brincadeira desses testes do Facebook, uma foto de 2010 que me deixou pensativa. Olhando a foto, a pessoa que aparece nela... Foi uma vida atrás. Aquele ano aconteceu tanta coisa...

Eu havia terminado meu relacionamento por não me sentir mais confortável com ele, foi a decisão mais objetiva que eu fiz na vida, sem pesar os prós e os contras, pois eu já estava me sentindo sufocada. Mas foi também em 2010 que eu conheci uma pessoa que, por mais que eu tente, vez ou outra ele volta as minhas memórias.

Foi por causa disso que eu fiquei com medo de relacionamentos. Mas eu vou contar essa história para vocês.

Eu o conheci na internet, começamos a conversar sobre a vida, e não via o tempo passar. E as conversas se tornaram algo que eu precisava todos os dias, pois conversar com ele me trazia paz (E não precisam comentar, sim eu sei que mergulhar no precipício que é esse tipo de coisa, só traz a morte para gente). Ele parecia um sonho, parecia saído das minhas mais profundas fantasias românticas. E o meu riso era muito mais fácil com ele do que com qualquer pessoa “real” que me cercava.

Foi na época em que eu estava me enganando sobre o direito e nem passava pela minha cabeça que ser advogada seria um dia possível (E isso é outra história) e eu estava na faculdade de jornalismo, logo as pessoas que estavam comigo naquela época, sabiam da história toda.

O Miguel, é português morando em Londres e que acordava com um mau humor incrível que só melhorava depois de tomar seu café... Formado em direito e policial, escreveu um livro pra mim, vejam só... Mas isso era parte do sonho. Essa coisa toda de se apaixonar por pessoas que você apenas conversa é algo meio louco. Eu era do time das pessoas que dizia que isso era impossível.

Mas claro que sonho acaba alguma vez, e esse meu acabou, ainda hoje lembro da data, lembro que também era uma segunda feira. Mais um motivo para eu odiar as segundas. E como eu AMAVA o Miguel. Amava a fantasia, claro, mas eu AMAVA o Miguel. Acho que foi a última vez que eu realmente senti isso por alguém. Amava ao ponto de começar a pensar em me mudar de cidade, de país, de continente.

Mas claro que tudo isso era coisa da minha cabeça. A realidade era algo bem diferente, dificilmente um relacionamento assim acontece e dá certo. E isso me fez magoar outra pessoa no processo, em 2011. Alguém que não merecia nada do que aconteceu.

Nas minhas fantasias, eu imaginava ele batendo na porta da minha casa dizendo que ele estava parado na porta da minha casa me pedindo para ficar para sempre com ele... Claro que isso jamais vai acontecer.

Desde que eu vi aquela foto... Percebo que foi a última vez que eu sorri feliz. A felicidade é algo tão forte que transcende seu interior parando no sorriso da pessoa. Sim! Quando uma pessoa está feliz o sorriso dela é algo impossível de descrever.

O que me deixa mais triste foi saber o quanto eu fui ingênua. Todas as dicas estavam gritando na minha frente, estava tudo às claras, mas eu estava cega de amor demais para poder entende-las...

Desde então eu estou sozinha. Não me relaciono com qualquer pessoa há sete anos, e eu sei que é por medo, eu não quero mais sofrer o que eu sofri quando a realidade, enfim, resolveu cobrar o preço das minhas fantasias. Porque, a única coisa que eu gostaria é de receber uma mensagem do tipo “primeiro encontro” e não do tipo “quero ir contigo pra um motel”, entendem? Mas a realidade é cruel demais. E eu, quando Deus estava na fila de “Sorte no amor”, eu estava na fila da reclamação...

Enfim... Não é um texto de uma história de amor, até porque, se eu for contar nos dedos as histórias de amor que eu conheço quase nenhuma será relatada aqui. É uma história SOBRE o amor. Daquelas que terminam com um “Nós sempre teremos Paris”... Só que mais triste.